Capitulo X - Conheço a pequena Yui

         Chegar a casa do Takeshi no bairro Otã não foi difícil, pouco tinha mudado em seis anos. No princípio do seculo XX, Tóquio era uma pequena cidade e agora o que chamamos de bairros eram aldeias a volta da capital. Mais tarde depois da segunda guerra mundial eles juntaram as aldeias há capital e tornando-a numa grande cidade, o que antes eram aldeias rurais agora são bairros. Aonde vivia o Takeshi era o Bairro Otã, um bairro simpático a norte da cidade de Tóquio.  A casa do Takeshi era o que se podia chamar casa tradicional Japonesa, estava-me a ser difícil entrar no quintal e bater a porta para falar com Takeshi, escrever para ele é uma coisa, agora falar é outra. Lembrei-me de uns conselhos do Dr. Tomás Pinto e respirei fundo contando até três e entrei e cheguei a porta e toquei a campainha.

     - Já vou, é só um segundo – disse Takeshi lá dentro, ele abriu a porta e me viu a olhar para o chão e ele disse - Lorenzo já chegaste.

      - Olá Takeshi, eu vim para prestar homenagem da Yui a sua família.

     - Claro, entra…. – Eu abracei-o com força, ele ficou admirado porque eu como asperger odeio abraços – Pronto, vamos entrar então.

        - Ah…Desculpa – pedi eu um pouco envergonhado com o meu comportamento – Por favor me Perdoe.

          Estávamos de joelhos diante a mesa da sala do Takeshi e por incrível que pareça falamos ao mesmo tempo e o Takeshi educadamente pediu-me:

        -Pode falar primeiro.

      - Não, você primeiro irmão. – disse eu educadamente

   - Poderia parar de me chamar assim? – pediu Takeshi um pouco desconfortável por o ter chamado irmão.

        - Desculpa – pediu eu.

    - Posso te chamar Takeshi-san como quando nos visitavas no Porto?

    -Sente-se confortável. – disse Takeshi ao ver-me desconfortável por estar de joelhos – Seus joelhos devem de estar doendo de ficar sentado assim.

      - Obrigado Takeshi – San – disse eu me sentando com as pernas cruzadas, como Asperger tive vergonha de pedir ao Takeshi se me podia sentar de outra maneira, era um desrespeito me sentar confortavelmente sem a sua permissão. Mudei de assunto – sempre gostei da sua casa é muito bonita. A Yui me contou que ela tem 100 anos de História.

         -Não se importa….

       - Cheguei – disse uma menina bonita de seis anos que tinha chegado das aulas as três horas da tarde, e Takeshi cumprimentou a menina que eu vi que era a sua filha, ela olhou para mim admirada e perguntou ao pai. – Nós temos visitas?

       - Ei, como fala? – disse Takeshi um pouco sem jeito.

       Ela tirou o chapéu e a mochila, o casaco dobrou-o e pós no seu sítio e foi para a nossa beira olhando admirada para mim e foi muito educada:  

      - Olá!

     - Sim, olá! – disse eu também a ela educadamente.

      - Minha nossa…um estrangeiro de verdade. – disse ela arregalando os olhos e o Takeshi disse admirado:

      - Há?!

      - Eu não sou estrangeiro – disse eu sorrindo e expliquei a minha origem a ela – sou Luso-italiano.

       - Mas o senhor fala Japonês? – Perguntou ela contente.

       - Pode parecer estranho, mas aprendi a ver as vossas animes. – sorri e expliquei melhor – nos anos 80 não era dobrada e tinham legendas em Português. 

        - Esta é a minha filha Yui – disse Takeshi e vendo a minha admiração pelo o nome disse – sim o nome é em memória da minha prima.

       - Eu sou Yui! – disse educadamente a pequena Yui.

       - Prazer em conhecê-la – disse eu a Yui – Eu sou Lorenzo Pellegrini, sou Luso-italiano.

    - Pai quem é ele? – Perguntou desconfiava a pequena Yui

   - Ele foi o namorado da nossa prima a quem herdastes o nome.

    - Posso te perguntar uma coisa tio Lorenzo?

         - Sim podes! – permiti eu.

     - Porque não consegues olhar nos meus olhos, o chão não é assim tão interessante.

      - Yui!! – ralhou o Takeshi

      - Não faz mal, eu não consigo olhar nos olhos de ninguém porque sou um Asperger.

         - Um Asperger o que é isso? – perguntou admirada a Yui.

      - É difícil de explicar, é uma dificuldade que tenho que afeta a minha comunicação.

      - Eu não cheguei a conhecer a prima que herdei o nome porque ela morreu no dia que eu nasci. – disse ela triste

      - Eu tenho uma foto dela…queres vê-la – disse eu tirando a minha carteira e a pequena Yui disse feliz:

       - Quero, quero.

      Eu tirei a foto da carteira e mostrei a ela que olhou admirada para a o meu amor e disse:

        - Ela era mesmo bonita, pai olha ela era mesmo bonita.

     - O pai não quer ver.






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