Capitulo XI - Conviver com a familia Minamoto no Japão

 

     A última vez que entrei na casa do Takeshi estávamos em luto, todos em silencio, a avó Mi ao saber do falecimento da neta foi hospitalizada com um mau estar. Takeshi estava de joelhos diante do corpo da Yui em silencio, estava machucado por dentro e por fora, eu fui para a beira dele e pôs a mão no seu ombro e ele chorando me abraçou, eu não sabia porque não mostrava sentimentos naquele momento de tristeza, mesmo vendo a mãe a chorar pela filha no caixão.

     - Aquele é o namorado da morta, dizem que tem a mesma maluqueira que ela tinha, ainda bem que os Deuses se lembraram dela.

      Eu virei-me para ver quem dizia aquelas barbaridades e vi as beatas Japonesas do Xintoísmo, não disse nada era um momento solene e tentei acalmar a dor da Takeshi.

      - Tio Lorenzo está na lua? – perguntou a pequena Yui sorrindo.

      - Ahhh – olhei para ela e escondi os meus pensamentos dizendo – sim estou bem.

      - Foi e veio do passeio muito calado, parecia distante, você ouviu o que eu lhe disse?

       - Sim, claro que sim, tu queres que eu conheça a tua amiga Taka um dia destes, tua mãe a Sra., Sakura cozinha muito bem, sim eu ouvi tudo.  – contei eu tudo o que ela me tinha dito – sim eu sabia que o nome da tua mãe significa flor de cerejeira.

        Entramos em casa com a Yui a dizer contente que tínhamos chegado, a Sra. Sakura abraçou-se a filha dizendo que já tinha regressado do trabalho olhou para mim e disse:

       - Tu deves ser o Lorenzo, ainda és o mesmo de há seis anos atrás.

     - Sim acho que sim Sr. Sakura. – disse eu

     - Tira a Sra. somos da mesma idade, não é? – disse ela – tem fome?

     - Sim mãe- disse a Yui.

     - Então vamos comer. 

     Sim eu agora a reconheço ela também esteve no funeral e nos dias a seguir ao lado do Takeshi com um bebé ao colo, então era a pequena Yui.

      Sentei-me ao lado da Yui e ela me quis ensinar a usar os pauzinhos e eu fiz de conta que não sabia para ela ficar feliz e me poder ensinar.  Comemos todos em família, conversamos todos juntos, a Sakura perguntou de onde eu era da parte de Itália e a Yui respondeu:

       - O tio Lorenzo é da cidade de Verona – depois disse o livro que mais associavam à cidade paterna – É a cidade do Romeu e Julieta.

      - Sim, mas também gosto do amor proibido do Simão e Teresa, do nosso escritor português Camilo Castelo Branco. – disse eu – já agora o livro se chama “Amor de perdição”.

        - Eles ficaram juntos no final? – perguntou a pequena Yui

     - Não, infelizmente não. – disse eu triste.

    - Tal como o seu amor com a prima Yui.

    Ao falar o nome da Yui ficou tudo em silencio, eu notei isso e mudei de assunto:

       - Um escritor português chamado André Vilaça quer escrever o meu amor com a Yui, acho que se vai chamar “Talvez fosse Magia”. 

        - E tu aceitaste? – perguntou o Takeshi – como é que ele vai escrever a História?

    - Sim, ele vai se basear nos diários que eu escrevi e a Yui, vai ser bom as pessoas saberem do nosso amor.

    - Alguém quer sobremesa? – perguntou o Takeshi indo à cozinha e trouxe o que eu vi que era nata do céu – a única receita que aprendi a fazer em Portugal com a tia Minamoto.

      - Nata do céu. – disse eu reconhecendo a sobremesa.

      - Sim e tens razão. – disse o Takeshi pondo as natas em cima da mesa. – podem comer o quanto vos apetecer.

       - Obrigado – disse eu e a Yui ao mesmo tempo segurando a colher e olhamos um para o outro e dissemos – bom aproveito.





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