Capitulo VI - O meu afilhado Kaito
Sim eu era o padrinho do filho mais velho do Baruto, nasceu antes de eu ir ao funeral da Yui no Japão. Foi um batizado sem festa na igreja da Foz e desde aí nunca mais vi o pequeno Kaito. Pelo que sei é que na minha ausência nasceu outro estoniano, quando soube do nascimento do Afonso ainda estava no Japão eu respondi que ele e a Fátima pareciam coelhos. Pouco conheço do meu afilhado a não ser das fotos que o Baruto me manda, sou mesmo um péssimo padrinho. Avó do Baruto queria que o tio que vivia numa quinta da estónia fosse o padrinho, mas o Baruto bateu com o pé dizendo que era eu e fui mesmo eu. Cheguei ao andar do Baruto mandei uma mensagem dizendo que tinha chegado e ele o filho da mãe me fez tocar a campainha e falar para a Fátima e pegar no meu afilhado que só o conhecia bebé no Batizado. Peguei nele e olhamos um para o outro, ele tocou no meu rosto felpudo e sorriu e eu envergonhado disse ao miúdo um “olá” ele sorrindo me disse também “olá” a partir de aí ficaríamos muito unidos, mas isso são outras histórias para outra altura. Alevantei o meu afilhado no ar e ele sorria feliz sem medo, depois abraçou-me e eu olhei para o Baruto sem saber o que fazer e ele sorriu dizendo:
- Este é o teu momento aproveita-o.
Aproveita-lo?! Eu nem conheço este
fedelho, que gostava de mim não sei porque, ele corria pela sala e a Fátima
dizia como uma boa mãe zelosa
- Kaito vais acordar o teu irmão.
Ele saltou para cima de mim e mostrou-me o seu boneco, era um Songoku de
peluche e ele confessou:
- Foi o papá que me deu.
- Só podia ser – brinquei eu olhando
para o Baruto grande fã do Dragon Ball principalmente do Z.
- Culpado- confessou o Baruto fazendo uma
careta
Quando Fátima nos veio chamar ele
dormia no meu colo, eu olhei para os pais perguntando o que fazia com aquele
fedelho, eles sorrindo me levaram ao quarto dele e eu o meti com cuidado no berço
e o Baruto brincou, mas eu sei que foi verdadeiro:
- Davas um bom pai.
- Ui o que sonhas porco, com a bolota,
eu nem de mim sei cuidar imagina com um inocente como este.
Fomos para a sala de jantar e nos
sentamos e quando vi assado eu perguntei ao Baruto admirado:
- Tu não eras vegan?
- Sou, mas hoje é um dia especial. –
respondeu Baruto
- Tá bem-disse eu
Foi um
jantar agradável, tudo num ano mudou, a vida tomou o seu curso normal, eu
fiquei a ver televisão com eles e no fim me levantei dizendo que me tinha de ir
embora porque não gostava de guiar durante a noite. Baruto ainda perguntou se queria que fosse
comigo para não ir sozinho e eu resmunguei que não era um miúdo e ele aceitou a
minha decisão. Cheguei a casa fui ao meu computador e passei uma foto de eu com
o meu afilhado do telemóvel para o computador e imprimi e meti numa moldura e
pôs na minha mesinha de cabeceira.

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